NESTLÉ ESGOTA FONTES DE ÁGUA MINERAIS NO SUL DE MINAS

[TEXTO ORIGINAL]

Estudos técnicos apontam grande rebaixamento nos níveis dos lençóis, poços que chegam a secar em períodos de estiagem, e uma mudança acentuada no processo de mineralização das águas, que faz com que percam seu poder curativo. Esses fenômenos estão associados à superexploração dos aquíferos.

Denúncia: Nestlé e a má utilização da água 
A situação é critica e estamos pensando em iniciar um boicote a todos os produtos da empresa Águas de São Lourenço, do Grupo Perrier/Nestlé, pelo que está acontecendo na Cidade de São Lourenço, Estado de Minas Gerais. Não é a primeira vez que isto ocorre e nem apenas no Brasil.

Na cidade de Crystal Springs, no Estado da Flórida, os moradores já iniciaram um boicote, há cerca de um ano e meio, a todos os produtos da Nestlé, devido à exploração exagerada das fontes, que estaria levando ao esgotamento dos reservatórios subterrâneos. Terri Wolfe é a presidente da organização não-governamental Save Our Springs , uma das mais ativas na defesa das águas subterrâneas do país. No site da entidade, os internautas são convidados a participar do boicote e podem acompanhar, por fotos, a degradação da fonte de Crystal Springs. Para Terri, defender as águas desse reservatório não é um problema apenas local. As águas da fonte alimentam o rio Hillsborough, que abastece a população de várias outras cidades.

No estado de Wisconsin, a consultora educacional Arlene Kanno demonstra a mesma inquietação de Terri Wolfe. O grupo militante de que ela participa, o Concerned Citizens of Newport, conseguiu evitar a instalação de uma fábrica de engarrafamento da Perrier na cidadezinha. Agora, tenta impedir que o mesmo aconteça no condado de Adams, muito perto dali. “Já estamos enfrentando a empresa há mais de um ano, mas nem sempre conseguimos ser ouvidos”, reclamou Arlene em entrevista à ‘no’. “O governo falha ao não defender os nossos recursos naturais, como deveria.”O movimento já chegou a mais cinco estados americanos: Maine, Maryland, Michigan, Pennsylvania e Texas.

Em São Lourenço, no sul de Minas Gerais, os moradores se perguntam onde foi parar uma das mais famosas fontes dessa cidade turística. “A Magnesiana secou e mesmo assim os técnicos da Perrier negam que estejam tirando água demais”, afirma o jornalista Hélio José Marques, da ONG Movimento Cidadania pelas Águas. “A dúvida agora é saber se vai acontecer a mesma coisa com as outras.” O assunto foi parar na mesa de um dos promotores da cidade e está sendo investigado.

O Ministério Público de São Lourenço, através do promotor de justiça e curador do meio ambiente de São Lourenço, Dr. Pedro Paulo Aina, decidiu instaurar inquérito civil público para apurar danos causados ao meio ambiente e ao patrimônio turístico da cidade, eventualmente praticados pela Empresa de Águas São Lourenço, explorada pela Perrier Vitell do Brasil, subsidiaria da multinacional Nestlé.

Para o hidrogeólogo Heraldo Campos, professor da Unisinos e um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, a grita não surpreende. “Teoricamente, se a captação de água mineral de um reservatório é muito grande, pode ser que se acabe tirando mais água do que é reposta naturalmente”, diz. “É tudo uma questão de quantidade. Se você fizer uma exploração exagerada, aquela fonte pode secar.”

A maior preocupação do Grupo Cidadania pelas Águas é que esteja havendo superexploração das águas e que dentro de alguns anos as fontes sequem. De acordo com o grupo de Vigilância Permanente das Águas, são retirados 250.000 litros de água por dia. Estudos técnicos apontam grande rebaixamento nos níveis do lençóis, poços que chegam a secar em períodos de estiagem, e uma mudança acentuada no processo de mineralização das águas, que faz com que percam seu poder curativo. Esses fenômenos estão associados à superexploração dos aquíferos.

Indícios que podem ser observados e deixam a todos apreensivos: 

  • A água magnesiana, que há anos era engarrafada, hoje não existe, nem mesmo para o consumo dos visitantes do parque.
  • As fontes que, por direito, deveriam atender à população, não têm funcionado continuamente.
  • Quem está acostumado a beber regularmente as águas das fontes nota que o sabor das mesmas está diferente, não há mais muita diferença entre o sabor das diversas águas.
  • Freqüentemente, há fontes fechadas dentro do Parque, o que causa grande insatisfação entre os turistas que nos visitam. E São Lourenço é uma cidade turística, com milhares de empregos dependendo direta e indiretamente do turismo.
  • A Empresa de Águas triplicou seu parque industrial, ocupando áreas de lazer que pertenciam ao Parque das águas: primeiro foi a quadra de bocha, depois o parque infantil e agora o campo de futebol.
  • Quanto mais aumenta a extração de águas para engarrafamento, mais diminuem as águas das fontes para consumo do turista e do morador de São Lourenço.

A água é um patrimônio da humanidade e fundamental para o seu futuro. Faça a sua parte: boicote a Nestlé e mantenha-se informado sobre a política da empresa.

COMPLEMENTANDO A MATÉRIA:
O atual presidente e ex-CEO, da Nestlé, a maior produtora de alimentos do mundo, acredita que a resposta às questões de água global é a privatização.

Esta declaração vem da maravilhosa empresa que vendia junk food na Amazônia, e que investiu dinheiro para impedir a rotulagem de produtos cheios de OGM, e que tem um histórico de saúde e ética perturbador por sua fórmula infantil, e que também implantou um cyber exército para monitorar críticas de internet e moldar as discussões nos meios de comunicação sociais.

Esta é, aparentemente, a empresa na qual devemos confiar para controlar a nossa água, apesar de registro de grandes empresas de engarrafamento como Nestlé terem um histórico de criar escassez?

Grandes empresas multinacionais de bebidas geralmente recebem privilégios sobre a água (e até isenções fiscais) e sobre a sociedade porque criam postos de trabalho,mas os direitos da água para os governos locais é aparentemente mais importante do que outros cidadãos contribuintes.

Empresas como a Coca-Cola e Nestlé (que utiliza água de poços subterrâneos nos frascos) suga milhões de litros de água, deixando o público sofrer com tais faltas; Mas o presidente, Peter Brabeck-Letmathe, acredita que “o acesso à água não é um direito público nem um direito humano.” Então, se a privatização é a resposta, é esta uma empresa em que o público deve colocar a sua confiança?

Aqui é apenas um exemplo, entre muitos, de interesse desta empresa para o público:

Na pequena comunidade paquistanesa de Bhati Dilwan, um conselheiro da antiga aldeia diz que as crianças estão enojadas com água suja. Quem é a culpa? Ele diz que é a água engarrafada pela fabricante Nestlé, a qual cavou um poço profundo privando os moradores ao acesso a água potável. “A água não é apenas muito suja, mas o nível para conseguirmos acesso à água potável subiu de 100 para 300 a 400 pés,” diz Dilwan.

Por quê? Porque se a comunidade tiver água potável canalizada, privaria a lucrativa água engarrafada da marca Pure Life da Nestlé.

Neste vídeo legendado, Brabeck discute seus pontos de vista sobre a água, bem como alguns comentários interessantes sobre a sua visão da natureza — é “sem piedade” – e, claro, a declaração obrigatória que o alimento orgânico é ruim e o GN é bom.

A conclusão para este segmento é talvez o mais revelador sobre a visão de um mundo com papel de Salvador, onde o Grupo Nestlé garante a saúde da população mundial.

Você está convencido?
Peter Brabeck, presidente mundial da Nestlé, uma das maiores empresas de gêneros alimentícios mundiais, afirma, com a maior cara de pau, que a água é como qualquer outra commoditie agrícola, e deveria ser privatizada, explorada comercialmente e precificada, sendo que, uma visão contrária (a todas a pessoas normais no mundo), segundo ele, é “um direito extremo.”

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