Moradores de Bento Rodrigues exigem construção de novo distrito

[TEXTO ORIGINAL]

Edição do dia 16/11/2015

Nesta segunda-feira (16) completaram-se 11 dias desde que o vazamento de resíduos de mineração em Minas Gerais praticamente matou o Rio Doce, na avaliação dos ambientalistas. Um desastre que afetou diretamente milhões de pessoas às margens do rio.

Os 172 alunos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, distritos de Mariana que foram destruídos pela lama que vazou das barragens da Samarco, começaram a estudar novamente nesta segunda-feira (16).

Em Governador Valadares, maior cidade do leste de Minas, as casas voltaram a receber água potável. Um alívio para quem ficou sem fornecimento por quase uma semana.

O tratamento de água está sendo possível por causa a uma nova técnica. Um produto chamado polímero de acácia negra é colocado no Rio Doce. Com isso, a lama vai para o fundo do rio e a água pode ser tratada.

Na sexta-feira (13), um trem da Vale, empresa dona da Samarco junto com a anglo-australiana BHP, levou água pra Governador Valadares. No mesmo dia a prefeitura declarou que um teste encontrou alto teor de querosene na água. E que ela não servia para consumo.

Em um dos vagões, a palavra “inflamável” estava riscada. E abaixo, estava escrito água.
Nesta segunda (16), a Vale disse que mandou fazer um laudo e que o resultado ainda não ficou pronto.

“Esses vagões nunca transportaram querosene. Quatro deles fizeram a primeira viagem e para transportar água. São vagões novos e os outros quatro, nós estávamos utilizando há quatro anos só mesmo para fazer transporte de água para o nosso consumo interno”, diz Zenaldo Oliveira, diretor de Operação e Logística da Vale.

Em Alpercata, água só chega em caminhão pipa. E em Periquito, o jeito é ir até um poço artesiano que fica num terreno da prefeitura ou contar com a solidariedade dos vizinhos.

O Rio Doce nasce no centro de Minas Gerais, entre as serras da Mantiqueira e Espinhaço. Desce por um trecho de muitas serras. Percorre 879 quilômetros em Minas e no Espírito Santo, onde deságua no mar.

No total, 230 municípios dependem das águas do Rio Doce. São mais de 3 milhões de pessoas.

“Nós já podemos determinar que a vida dentro desse rio, ela praticamente não existe mais. O oxigênio não consegue mais se misturar e se associar a água”, explica
Alexandre Sylvio, professor de Recursos Hídricos.

A presidente do Ibama, Marilene Ramos, voltou à região do desastre. Ela disse que além dos R$ 250 milhões de multa, ainda devem ser aplicadas outras multas à mineradora. Ela falou ainda sobre o uso de floculantes, uma substância, de origem vegetal, que deve ajudar reduzir o volume de sedimentos e na limpeza da água do Rio Doce.

“Vai ser feito o lançamento desses floculantes na barragem de Aimorés num trecho que permita a diluição desses floculantes pra tentar fazer uma decantação dessa mancha”, explica Marilene Ramos , presidente do Ibama.

Ainda de acordo com o Ibama, a Samarco deve começar, imediatamente, a instalação de filtros nas barragens, em Bento Rodrigues, para evitar que a lama continue descendo para o Rio Doce.

Onze dias depois do rompimento, ainda é muito difícil caminhar no meio do barro. A coloração dele é meio azulada o que indica a presença de minérios. Segundo especialistas em mineração, todo o barro vai ficar duro como concreto quando secar.

Os moradores de Bento Rodrigues decidiram que não querem mais a construção da vila no mesmo lugar onde ela existe hoje. Por enquanto, as vítimas que viviam nos vilarejos de Mariana que foram destruídos pela lama estão indo para as casas que foram alugadas pela mineradora.

O Ministério Público deu um prazo de cinco dias para a Samarco informar o que será feito em definitivo para as famílias.

O Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais analisou amostras de 13 pontos do rio doce. E encontrou em dois deles: arsênio, cádmio, chumbo, cromo, níquel, cobre e mercúrio em níveis acima do limite permitido.

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