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Começou como uma brincadeira, mas o assunto é muito sério. Uma empresa canadiana que comercializa ar fresco engarrafado esgotou em apenas quatro dias o primeiro “stock” para a China, o país mais poluente do mundo. Pequim, aliás, emitiu a 8 de Dezembro, pela primeia vez na história, um alerta vermelho devido à situação ambiental.

A Vitality Air foi fundada no ano passado em Edmonton por brincadeira, como contou ao “Telegraph” Moses Lam, que fundou a “start-up” com Troy Paquette. Tudo começou quando os canadianos colocaram à venda no Ebay um saco de plástico cheio de ar. O primeiro leilão rendeu-lhes pouco mais de 50 cêntimos, mas o segundo saco já foi vendido por cerca de 150 euros. “Foi quando percebemos que há um mercado para isso”, disse Lam à publicação inglesa.

A empresa comercializa garrafas de oxigénio e de ar puro recolhido nas Montanhas Rochosas (em Lake Louise e Banff) na América do Norte, para a Índia e para o Médio Oriente, mas hoje é a China o seu maior mercado externo. E as vendas começaram há menos de dois meses. “O nosso primeiro carregamento de 500 garrafas de ar fresco foi vendido em quadro dias”, relata o empreendedor. A caminho estão mais quatro mil garrafas, a maioria já previamente compradas. O grande desafio é, agora, continuar a responder à elevada procura, até porque cada garrafa de ar fresco é enchida manualmente. Segundo a “CNN“, é o próprio Lam que, de quinze em quinze dias, faz uma viagem de quatro horas até ao Parque Nacional Banff e passa as dez horas seguintes a engarrafar ar.

Não se pense que é barato. De acordo com o site da empresa, uma garrafa de 7,7 litros de ar fresco ronda os 21 euros, enquanto que uma de três litros ronda os 12 euros (fora portes de envio). Percebe-se, por isso, por que é que são as mulheres chinesas com elevado poder económico as principais clientes, adquirindo estes produtos para as suas famílias ou para oferecerem como presentes. “Na China, o ar fresco é um luxo, algo muito precioso”, conclui, ao “Telegraph”, Harrison Wang, representante da empresa no país.

O “Telegraph” lembra que esta não é a primeira vez que se vende ar puro no país. No ano passado, o artista Liang Kegang arrecadou cerca de 700 euros por um frasco de vidro com ar que recolheu em Provence, França. E, já em 2013, um multimilionário chinês começou a vender latas de ar oriundo supostamente de zonas menos industrializadas do país: em dez dias, foram compradas 8 milhões.

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